Gastromotiva e projetos parceiros celebram o dia da Família; no menu, a comida vem temperada de afeto

[:pb]Homenagear e retribuir. Estes foram os objetivos centrais do Almoço da Família que mobilizou mais de 100 pessoas no Refettorio Gastromotiva, no último dia 18 de maio, no centro do Rio de Janeiro.

No espaço do Refettorio, dedicado à Gastronomia Social, mais uma vez a organização se uniu a projetos parceiros da Prefeitura Municipal para homenagear mães e pais que abrem casa e coração para receber, como família, crianças e jovens que precisam de guarda temporária. Foram quase 90 convidados, integrantes dos programas Circulando e Família Acolhedora, mantidos pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH), recebidos para celebrar a importância de sua dedicação à vida desses acolhidos.

A equipe do chef Luiz Malta ganhou reforços de um grupo de ‘oficineiros’ do programa Circulando e de assistentes sociais do projeto Família Acolhedora. Num trabalho conjunto, prepararam e serviram um menu caseiro, caprichado no afeto: sopa de legumes com leite de coco e sementes de coentro de entrada; carré ao molho de morango, cebola roxa, arroz e farofa como prato principal; e sorvete de banana, mamão e farofa de sucrilhos de sobremesa.

Acostumados a alegrar e movimentar o dia de pessoas abrigadas sem acesso à cultura e lazer – oferecendo aulas de dança, sessões de teatro, passeios e visitas a museus – os ‘oficineiros’ também montaram e serviram pratos durante toda a celebração. Seguindo o ritmo cadenciado da cozinha, voluntários dos dois projetos traziam às grandes mesas compartilhadas do Refettorio alimentos frescos, saudáveis e saborosos que, se não fossem doados à Gastromotiva, seriam destinados ao descarte.

Acolher quem acolhe

Presente na abertura do almoço, o secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, João Mendes de Jesus, considerou o evento uma oportunidade de reconhecer – “com este nível de receptividade e qualidade de alimentos” -, a importância dos envolvidos no projeto Família Acolhedora. “Celebrações como estas fazem com que as famílias que acolhem também sejam vistas e sintam-se acolhidas por nós”, reforçou. (vídeo)

Em homenagem às 85 famílias acolhedoras que integram atualmente o projeto na cidade do Rio, atendendo aproximadamente 160 crianças e adolescentes em situação de risco pessoal ou social, a celebração ganhou ainda mais emoção com o destaque de duas mães e suas histórias de dedicação e amor aos filhos de outras famílias. Janice Costa da Silva e Laudicena Ribeiro Nunes (foto), moradoras da região do Santíssimo, tornaram-se vizinhas, grandes amigas e parceiras do programa. As duas, somadas, já acolheram 21 crianças desde 2010. Janice, que tinha o sonho de encher a casa de filhos, adotou os últimos 5 que estiveram sob seus cuidados. Todos eles irmãos. Para Laudicena, que já conhecia o Refettorio de outro evento, “ser homenageada agora foi ainda melhor”, destacou.

Marcia Cristina Viana, moradora do centro, é outra mãe substituta de grande participação no programa. Ela conta que, nos últimos 18 anos, acompanhou, acolheu e encaminhou de volta às famílias, ou para adoção, 50 crianças. Destas, seis tornaram-se filhos adotivos. Entre elas, uma moça de 20 anos com paralisia cerebral.

Futuro traçado

De olhos brilhando e sorriso largo, Sabrina Vitória, de 19 anos também se sentiu homenageada no almoço. Acolhida desde os 12 anos por família do projeto, já caminha cheia de entusiasmo para dar conta de seu próprio futuro. Morando na casa da mãe de acolhida, dona Vera, Sabrina cursa técnico em Administração, vende trufas na escola, busca uma oportunidade de estágio e já tem planos definidos: “quero fazer Direito em faculdade pública e ser desembargadora”. No almoço, chamou sua atenção a apresentação sobre os cursos que a Gastromotiva oferece, especialmente o Empreenda, preparatório para quem quer abrir seu próprio negócio. “Achei tudo maravilhoso”, disse. (foto)

Assistência integral

O programa Família Acolhedora já garantiu acolhimento familiar para mais de 3 mil crianças afastadas dos lares originais por alguma vulnerabilidade. São crianças e adolescentes que, de 0 aos 17 anos e 11 meses passam a ter atendimento prioritário para seguir seu desenvolvimento com apoio de uma família voluntária. Os interessados se cadastram e, cumprindo alguns requisitos, são treinados e certificados como aptos para a acolhida.

Tanto a família substituta, como a família original e as crianças, todos recebem acompanhamento permanente de psicólogos e assistentes sociais. Completando 18 anos e não tendo sido adotados ou reinseridos nas famílias originais, estes jovens passam a integrar outros projetos da Prefeitura Municipal.

Regina Maria Lage Marcelino, assistente social e coordenadora do programa Família Acolhedora, explica que as famílias recebem bolsa de custeio para participação, mas que “todas realmente doam tempo, dedicação e afeto. É de fato um trabalho voluntário, porque essas pessoas abrem a porta de casa para receber essas crianças”. Para ela, o almoço foi “uma oportunidade de retribuir essa doação constante das famílias, contando com um espaço parceiro que se propõe a oferecer comida de qualidade. Foi também um exercício de nossa equipe técnica se colocar no lugar do outro, servindo nossos convidados”.

Responsável pela ”regência” dessa orquestra afinada, na qual se transforma o salão de refeições do Refettorio, Bianca Aguiar reforça que a Gastromotiva busca cada vez mais “fazer e promover ações extramuros” com parceiros. Foi assim com a celebração dessa data, “quando cumprimos nosso objetivo de acolher as famílias e oferecer também a oportunidade delas conhecerem mais os nossos programas”. Para esta comemoração, as empresas parceiras Granado e Embelleze contribuíram com kits de beleza entregues aos homenageados.

 [:]

0

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *