Novo relatório da ONU aponta para relação entre fome e migração

Países como Peru e Bangladesh, com grande número de refugiados, apresentam altas taxas de insegurança alimentar.


O novo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) atualizou os dados sobre fome, desnutrição e insegurança alimentar em 53 países, além de sinalizar suas principais causas – conflitos e mudanças climáticas.

Em 2017, o número de pessoas com fome era de 124 milhões, reduzido para 113 milhões em 2018. O motivo apontado para tal está diretamente relacionado ao clima: em 2017, o mundo ainda sofria com os efeitos do El Niño de 2016. O fenômeno, que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, foi o segundo mais forte em 66 anos, gerando secas e consequente fome – somente no continente africano, foram mais de 35 milhões.

Em 2018, a África permaneceu como o continente com maior registro de fome, somando 33 milhões de pessoas nesta situação. Além disso, o relatório chama atenção para o conflito como maior causa da fome. A análise dos dados, feita pela FAO, divide a insegurança alimentar em 5 níveis: mínimo (1), tenso (2), crítico (3), emergencial (4) e faminto (5).

O país com maior porcentagem de insegurança nos níveis 3, 4 e 5 é Bangladesh – 87% da população analisada. A causa está localizada no extremo-sul do território, mais especificadamente na cidade de pescadores Cox’s Bazar. O município faz fronteira com Mianmar, país de maioria budista, com histórico de violência contra os mais de 1 milhão de muçulmanos que lá residem. Desde 2017, cerca de 710 mil migraram para Bangladesh e cerca de 620 mil se abrigam em Kutupalong, o maior acampamento de refugiados no mundo.

As maiores porcentagens no nível 2 também são de países com alto fluxo migratório. No Oriente Médio, Líbano e Jordânia, respectivamente a leste e sul da Síria, somam 2.2 milhões de habitantes, dos quais 1.3 vivem em estado tenso de insegurança alimentar. Na América do Sul, Peru, Equador e Colômbia encabeçam a lista: da população analisada, mais da metade se encontra na fase caracterizada como de tensão.

Além dos efeitos migratórios, os conflitos desenham uma realidade caótica na economia, política e meio ambiente. Fatores que, somados, desenvolvem e agravam a fome. Neste cenário, a comida vira artigo de luxo, mas também, arma, e coloca em evidência mais um ponto: o Terrorismo Alimentar.


Acompanhe a sequência resumida de dados sobre a Crise Alimentar, apresentada no relatório, em: https://www.instagram.com/social_gastronomy/

Acesse o relatório completo em: http://www.fsinplatform.org/global-report-food-crises-2019

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